Berlin, Germany
Berlim é uma cidade fabulosa! Fascinou-me o rigor e a disciplina do povo perante o seu quotidiano, sendo este tipo de educação e atitude sinal de evolução e desenvolvimento. Apesar disso, sente-se uma liberdade enorme. Tudo acontece com um sentido de organização, e resulta muito bem.
O Museu Judaico, é uma obra a não perder nesta cidade, pois tem espaços impressionantes.
A “Torre do Sofrimento” é um espaço altamente vertical, cuja luz é controlada filtrando-se para dentro do espaço por um vão subtil rasgado no topo superior angular. Esta verticalidade e escuridão cala-nos e a consequência disto é a vontade de permanecer neste espaço para contemplar sem tomar conta do tempo a passar. Pois sem contacto visual com o exterior, surgem vários imaginários.
Os vários pisos expositivo davam, visualmente, para este tipo de espaço, igualmente de sentido vertical, no qual à cota inferior acontece uma instalação de objectos metálicos representativos de caras em sofrimento; cujo objectivo da instalação é o de os visitantes andarem em cima dos objectos metálicos, percepcionando o espaço, mas que em simultâneo é-nos despertado mais um sentido que é o da audição, pois quando os objectos metálicos se tocam, emitem um som característico e que se propaga de maneira particular no espaço vertical, conferindo ao espaço outra dimensão, algo mais dramática.
A linguagem dos espaços de transição (distributivos) segue a mesma lógica, embora complementando com elementos artificiais – as luzes, que rasgam o tecto tal como os vãos rasgam as restantes paredes.
O espaço das escadas distributivas para os pisos expositivos é impecável do ponto de vista de acontecimentos e qualidades espaciais, tanto pela sua verticalidade que é quebrada subtilmente por uns elementos oblíquos que dinamiza o espaço, mas também pelos lanternis de luz, que deixam a luz escorrer pelas paredes abaixo, contrapondo a geometria regular da luz com os elementos oblíquos.
Exteriormente adquire uma imagem muito forte tanto pelos materiais empregues, como pelo tratamento dos vãos, explorando uma linguagem diferente. Relativamente à organização em planta, o museu revela-se algo serpenteado, e cujos espaços interiores funcionam em continuidade.
A sul do museu acontece um jardim, tendo um toque especial que consiste na colocação de uns paralelepipedos verticais encimados por uns arbustos, criando uma malha regular, tencionando o espaço atribuindo-lhe uma simbologia de holocausto.
Definitivamente, foi uma das obras de arquitectura que mais me marcou pela poetica dos espaços.





