The Jewish Museum – DANIEL LIEBESKINDr

Berlin, Germany

Berlim é uma cidade fabulosa! Fascinou-me o rigor e a disciplina do povo perante o seu quotidiano, sendo este tipo de educação e atitude sinal de evolução e desenvolvimento. Apesar disso, sente-se uma liberdade enorme. Tudo acontece com um sentido de organização, e resulta muito bem.
O Museu Judaico, é uma obra a não perder nesta cidade, pois tem espaços impressionantes.
A “Torre do Sofrimento” é um espaço altamente vertical, cuja luz é controlada filtrando-se para dentro do espaço por um vão subtil rasgado no topo superior angular. Esta verticalidade e escuridão cala-nos e a consequência disto é a vontade de permanecer neste espaço para contemplar sem tomar conta do tempo a passar. Pois sem contacto visual com o exterior, surgem vários imaginários.
Os vários pisos expositivo davam, visualmente, para este tipo de espaço, igualmente de sentido vertical, no qual à cota inferior acontece uma instalação de objectos metálicos representativos de caras em sofrimento; cujo objectivo da instalação é o de os visitantes andarem em cima dos objectos metálicos, percepcionando o espaço, mas que em simultâneo é-nos despertado mais um sentido que é o da audição, pois quando os objectos metálicos se tocam, emitem um som característico e que se propaga de maneira particular no espaço vertical, conferindo ao espaço outra dimensão, algo mais dramática.
A linguagem dos espaços de transição (distributivos) segue a mesma lógica, embora complementando com elementos artificiais – as luzes, que rasgam o tecto tal como os vãos rasgam as restantes paredes.
O espaço das escadas distributivas para os pisos expositivos é impecável do ponto de vista de acontecimentos e qualidades espaciais, tanto pela sua verticalidade que é quebrada subtilmente por uns elementos oblíquos que dinamiza o espaço, mas também pelos lanternis de luz, que deixam a luz escorrer pelas paredes abaixo, contrapondo a geometria regular da luz com os elementos oblíquos.
Exteriormente adquire uma imagem muito forte tanto pelos materiais empregues, como pelo tratamento dos vãos, explorando uma linguagem diferente. Relativamente à organização em planta, o museu revela-se algo serpenteado, e cujos espaços interiores funcionam em continuidade.
A sul do museu acontece um jardim, tendo um toque especial que consiste na colocação de uns paralelepipedos verticais encimados por uns arbustos, criando uma malha regular, tencionando o espaço atribuindo-lhe uma simbologia de holocausto.
Definitivamente, foi uma das obras de arquitectura que mais me marcou pela poetica dos espaços.

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About nbencheci

Born in 1988, Natalia is an experienced architect based in Switzerland, moving constantly between Lisbon and Zürich, she works on different projects worldwide, mostly in Portugal, Switzerland and Republic of Moldova. She studied at Accademia de Architectura di Mendrisio in Switzerland with Valerio Olgiati and Aires Mateus and at Universidade Lusiada de Lisboa. Natalia is a Member of Portuguese Institute of Architects (OA) since 2014. Growing up in Portugal and investing in small properties around Lisbon, Natalia can help you to find beautiful plots where to build your dream house. Feel free to drop a message in any of the following languages: english, portuguese, italian, romanian, german, russian, french or spanish. nataliabencheci@gmail.com Instagram @nbencheci

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