Italy, Capri, 1937
Esta casa representa mais um paradigma da arquitectura do século XX.
Depois de ganhar fama, a Casa Malaparte foi largamente reconhecida como a obra prima do arquitecto Adalberto Libera.
Descobre-se mais tarde que o projecto era, na sua maioria, de autoria do próprio proprietário que em determinada altura se terá incompatibilizado com o arquitecto (ou mais ao contrário).
Esta casa, também palco de filmes (Le Mépris de Jean-Luc Godard, 1963, com Brigitte Bardot), foi construída graças a favores políticos que Curzio Malaparte que terá conseguido através da sua atribulada carreira.
Aquilo que foi construído mais parece uma tipologia da antiguidade do que uma do movimento moderno. Assim, ao primeiro piso, entra-se directamente num grande sala que ocupa toda a largura do edifício. Centralmente e no lado mais comprido da sala, uma lareira suavemente curva que vá até ao tecto, é o elemento chave que hierarquiza o espaço.
Neste espaço, a simetria rigorosa organiza o espaço, sublimemente.
Neste espaço, a simetria rigorosa organiza o espaço, sublimemente.
O studio di Malaparte, largo como a casa, situado à extremidade do paralelipípedo, é apenas acessível do seu quarto, ao qual, por sua vez, em simetria, lhe faz correspondência um outro quarto que era o chamado “quarto da favorita”.
A relação dos espaços com a paisagem é surpreendente!
Na sala de estar, ao lado da lareira, uma janela enquadra a paisagem como se de um quadro pintado se tratasse. Cada detalhe é trabalhado no sentido desta ideia, o de enquadrar o melhor daquela paisagem.
Por sua vez, a janela mais abstracta e espectacular é a do studio de Malaparte, onde se fazem perder todas as referências à terra, para dar lugar ao infinito do mar!
As invenções propostas por Libera e Malaparte fizeram com que se possa falar sobre o tema Tempo – ou melhor, a qualidade de ter superado o seu próprio Tempo…


